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Energias alternativas criarão 20 milhões de empregos "verdes"
Monday, November 03, 2008 :: 5:45 AM
Publicado por hernani.soares :: 151 Visualizações :: Notícias
O rápido crescimento do interesse por energias alternativas capazes de
aplacar o aquecimento do planeta terá um impacto significativo na criação de
empregos "verdes" no mundo nos próximos anos. Um estudo inédito divulgado
pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, em inglês) prevê a
geração de pelo menos 20 milhões de novos postos até 2030 - 12 milhões
apenas na indústria de bionergia, onde o Brasil é um dos principais players.
O resultado econômico dessas mudanças será um mercado global de serviços e
produtos "verdes" de cerca de US$ 2,74 bilhões em 2020.


Marisa Cauduro / Valor

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Ricardo Baitelo, do Greenpeace Brasil, diz que no país a ampliação do
emprego virá do setor de biocombustíveis




"Projeções individuais para países indicam forte potencial para criação de
empregos nos próximos anos. Os empregos verdes estão claramente em alta",
afirma o estudo, divulgado em meio ao furacão financeiro que assola o mundo.
Mas a crise, vale dizer, não deverá mudar esse quadro no longo prazo: as
inovações tecnológicas continuarão a despontar já que as mudanças climáticas
são um processo comprovado e irreversível.




O que pode acontecer, especula-se, é um retardamento desse processo. Por
isso, "políticas arrojadas dos governos continuam sendo imprescindíveis",
alerta o estudo, citando subsídios, reforma fiscal e orçamento para pesquisa
e desenvolvimento como opções. Intitulado "Empregos verdes: em busca de um
trabalho decente num mundo sustentável e de baixo carbono", o estudo feito
pela Unep, pela Organização Internacional do Trabalho e outras organizações,
traz um amplo olhar para a emergência de uma "economia verde" e seu impacto
no trabalho no Século XXI.




Abrange uma vasta gama de profissões: de engenheiros e pesquisadores a
designers, arquitetos, auditores e agricultores. Tudo o que, de uma forma ou
outra, estiver ligado à preservação de ecossistemas, à redução do consumo de
água e energia e à mitigação ou prevenção da geração das diferentes formas
de lixo e de poluição.




O segmento de energia renovável tende a ser um dos mais beneficiados.
Globalmente, cerca de 300 mil pessoas trabalham hoje com energia eólica e
170 mil com energia solar. Quase 1,2 milhão de pessoas estão empregadas no
setor de geração de energia com biomassa, sobretudo biocombustíveis, em
apenas quatro países - Brasil, Estados Unidos, Alemanha e China.




"São empregos com rápido ritmo de crescimento", diz o estudo. "Comparado com
as termelétricas, a energia renovável gera muito mais empregos por unidade
de capacidade instalada, unidade de energia gerada e dólar investido".




Se ainda são modestos, esses números têm um potencial gigantesco para
crescer. O estudo prevê uma guinada no número de empregos de 600% no setor
de energia eólica, para 2,1 milhões de postos em 2030. A energia solar
deverá ter um incremento de 3.605% no mesmo período, chegando aos 6,3
milhões de postos. As 1,2 milhão de pessoas ligadas atualmente aos
biocombustíves se transformarão em um exército de 12 milhões de pessoas,
como se a cidade de São Paulo inteira se dedicasse unicamente à produção de
etanol.




Mas outros setores também serão "chacoalhados" com as exigências cada vez
maiores por tecnologias limpas que solucionem velhos problemas. O
imobiliário é um deles. Prédios com isolamento melhor, ventilação e
aquecimento mais econômicos e iluminação inteligente serão o padrão do
futuro. A União Européia prevê abrir, sozinha, mais 2,5 milhões de cargos
relacionados a essas melhorias até 2030 e outros 1,4 milhão até 2050.




Esse mundo em transformação mexerá diretamente com a estrutura das
profissões. Cargos serão adaptados para a nova realidade, caso de
eletricistas, encanadores e pedreiros da futura geração de edifícios
"verdes". Outros serão substituídos, com funcionários de aterros sanitários
migrando para a incineração. Alguns setores serão turbinados - a reciclagem
é um exemplo. E muitos empregos serão simplesmente eliminados do mapa. "No
dia em que a embalagem for banida ou desencorajada, isso levará à
descontinuidade da sua produção", explica o estudo.




Dessa dança das cadeiras participarão todos os países, sobretudo os
desenvolvidos, onde ainda estão concentrados a maioria esmagadora dos
empregos verdes. Segundo a consultoria Roland Berger, os empregos na
indústria de tecnologia ambiental na Alemanha representarão 16% da produção
industrial do país até 2030, nada menos que o quádruplo do que se verificou
em 2005. Mais: o setor ultrapassará em um prazo de 12 anos o número de
empregos das poderosas indústrias manufatureira e automobilística alemãs. "O
negócio verde está se tornando o motor do desenvolvimento econômico alemão",
diz a consultoria.




No Brasil, a criação de empregos ocorrerá de forma mais acentuada no setor
de bioenergia, onde os empregos já acompanham o aumento de investimentos
polpudos para a produção de etanol. "A médio e longo prazo é possível
crescer muito no setor de biocombustível", diz Ricardo Baitelo, coordenador
da campanha de energias renováveis do Greenpeace Brasil.




Ele cita como indicações disso as previsões do setor de 28 mil MW gerados a
partir da co-geração do bagaço da cana até 2020. "É uma Itaipu", diz o
especialista. Outro fator que contribui para um futuro de mais empregos
"verdes" no país é a recente criação da Comissão Especial de Energias
Renováveis do Congresso, onde tramitam onze projetos-de-lei que convergirão
para a nova legislação de energia limpa. "Com isso serão necessários mais
projetistas de caldeiras e engenheiros", exemplifica Baitelo.




De acordo com estimativas do setor, o Brasil tem cerca de 500 mil pessoas
trabalhando com biomassa, número que pode duplicar nas próximas décadas se
houver sinalização política correta. É justamente aí, porém, que vem a
ressalva: mais emprego não significa uma vida melhor. O estudo alerta que
muitos trabalhadores - citando nominalmente o setor de biocombustíveis no
Brasil, Malásia e Indonésia - ainda estão sujeitos a condições longe do
ideal. "Em certas áreas, sobretudo nos países em desenvolvimento, os
empregos que estão sendo criados ainda deixam a desejar. Mal podem ser
considerados trabalhos decentes", afirma.
      
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