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Boa governança e o setor imobiliário - artigo do professor Osvaldo Quelhas, Coordenador Geral do Latec, publicado na Gazeta Mercantil - SP
Saturday, September 15, 2007 :: 1:06 PM
Publicado por mabho :: 1383 Visualizações :: Destaques

Empresas transparentes viabilizam empréstimos em capital estrangeiro. Para que as organizações brasileiras não percam a oportunidade de adesão à nova "onda" evolutiva de melhoria de desempenho e de competitividade global, é necessário tornar a linguagem da sustentabilidade, da transparência nos negócios e de boas práticas de governança compreensível aos empreendedores, a gestores e à sociedade. Pesquisa de julho de 2007, que define uma metodologia para o cálculo do custo de capital para empresas do mercado imobiliário, feita pelo Laboratório de Tecnologia, Gestão de Negócios e Meio Ambiente (Latec) da Universidade Federal Fluminense (UFF), constata que práticas de governança corporativa tornam mais transparentes os critérios de decisão empresarial e aumentam o valor da instituição.

A partir das políticas das bolsas de valores em incluir as empresas com boas práticas de governança em "novos mercados", tem-se como conseqüência a redução do custo do capital, viabilizando novos projetos. Partindo-se do estabelecimento de um índice do mercado imobiliário composto por uma carteira teórica de dez das maiores incorporadoras listadas no Novo Mercado e, através de comparações do desempenho deste índice com o desempenho de outras empresas não listadas nos níveis de "governanþa corporativa", evidenciaram-se os bons frutos da adoção de práticas de governança e de transparência empresarial. O custo de capital de terceiros está diretamente ligado à confiança que os investidores dispõem da organização. Empresas com boa reputação, práticas de governançaa e com transparência nos negócios viabilizam empréstimos em capital estrangeiro e, mesmo dentro do País, por taxas muito mais atrativas.

As empresas que adotam o sistema de governança corporativa tendem a ter mais valor de mercado, pois oferecem mais visibilidade das operações da empresa aos investidores, graças à transparência e comunicação. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) definiu recomendações de práticas de governança corporativa para estimular o mercado de capitais brasileiro. Tal estímulo aparenta ter dado certo, tendo a Bovespa comemorado a adesão da centésima empresa aos níveis diferenciados de governança em 2007, comparando-se com as 39 em níveis de governança corporativa no mês de dezembro de 2004.

A Bovespa criou o Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC) tendo por objetivo medir o desempenho de uma carteira teórica de ações contendo apenas papéis de empresas dentro desse sistema e comparar sua atuação com os demais índices no mercado.

Desde sua criação, em meados de 2001 até junho de 2007, o IGC acumula valorização de pouco mais de 150% frente a 79% do Ibovespa. Estudos comprovam que o efetivo emprego da governança corporativa e da transparência nos negócios aumenta o preço das ações. Constam ainda pesquisas sobre a tendência dos investidores em convergirem para empresas que desenvolvem corretamente esta nova política mercadológica.

Ao lançar suas ações no mercado, as organizações captam recursos com investidores que emprestam recursos à empresa, com objetivo de obter retornos financeiros, seja através da distribuição de dividendos ou do aumento do preço da ação para posterior realização de lucros.

Ao firmar estes contratos com os investidores, as organizações necessitam continuamente atingir suas metas e, através de diversas práticas gerenciais, manterem ou aumentarem a atratividade dos papéis, ampliando a força compradora e elevando os preços unitários das ações. Neste sentido, surgem práticas de governança corporativa e de transparência nos negócios que possibilitam melhores desempenhos às empresas.

Por meio da análise dos custos de capital de duas diferentes carteiras de ações (a primeira só de incorporadoras listadas no Novo Mercado e a segunda de empresas listadas nos Níveis 1 e 2 e não listadas), fica evidente a contribuição positiva e decisiva das práticas de governança, que são requisitos fundamentais para estar no Novo Mercado.

Um menor custo de capital é sinônimo de menor custo de financiamento para a empresa. Tanto o custo de capital próprio como o custo de endividamento (capital de terceiros) possibilitam melhores condições para viabilização de projetos. A prática ativa da governança corporativa pode contribuir para menores custos de produção.

Graças a esse sistema, a capitalização gerada pelas aberturas de capital possibilita grande alavancagem para a realização de novos empreendimentos, que proporcionarão significativa geração de empregos, tanto diretos quanto indiretos. A importância da pesquisa está em comparar a evolução de índices consagrados como o Ibovespa e o ISE com o Índice Teórico do Mercado Imobiliário (IMB) e constatar que este último apresentou rendimentos muito superiores, provocados pelo interesse atual dos investidores por empresas inseridas no mercado imobiliário.

Com maior transparência e maior investimento, a competição entre as empresas se intensifica e gera melhores condições para os potenciais compradores de imóveis, que também são auxiliados pelas menores taxas de juros e maiores prazos de financiamento. A governança corporativa transmite credibilidade aos investidores, proporciona mais investimentos e melhores condições aos compradores.

As incorporadoras têm voltado sua atenção para o mercado de baixa renda, visto que existe um grande déficit habitacional para a população de classe média baixa. Por meio das vantagens na negociação para compra do imóvel, essa camada da sociedade consegue viabilizar o projeto da casa própria. Mesmo com todos os benefícios da governança, apenas as empresas de capital aberto usam esse sistema, já que necessitam angariar a confiança de investidores. No caso das instituições de capital fechado ou "Ltda.", a governança corporativa não atua como um diferencial competitivo.

Reproduzido no site da ADEMIRJ - Associação de Dirigentes e Empresas do Mercado Imobiliário. Veja aqui.

Imagem extraída do jornal Gazeta Mercantil de SP.

      
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