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Design sustentável garante redução de custo operacional
Monday, December 28, 2009 :: 8:21 AM
Publicado por hernani.soares :: 884 Visualizações :: Notícias
As inovações estão em toda parte. Os tradicionais gramados foram trocados por pedras, arbustos, vegetação típica das regiões mediterrânea e alpina e espelhos d´água de fazer inveja a Brasília. No interior da estrutura, um sistema de colunas coleta água da chuva para abastecer esses reservatórios, irrigar jardins e uso na limpeza.
Além disso, 652 dos oitocentos pilares de sustentação do prédio de quase quarenta mil m2 aproveitam energia geotérmica do subsolo para aquecer água e atuar na regulação da temperatura do centro. O calor é obtido a 60 metros de profundidade. A redução nas emissões de dióxido de carbono (CO2 com o uso dessa fonte renovável é calculada em 500 toneladas anuais, na comparação com construções do mesmo tipo.
Equipadas com filtros para radiação ultravioleta, enormes claraboias permitem a passagem da luz. Toda a fachada do shopping funciona como uma grande "pele térmica". Com materiais especiais, foi possível variar a entrada de luz e calor entre dias e noites. Espaços internos bem moldados facilitam a circulação do ar e reduzem os custos com refrigeração.
"Um shopping como o Atrio oferece alto grau de funcionalidade e serviços que apoiam a sustentabilidade social, ecológica e econômica regional. Ele usa recursos já existentes para atender suas necessidades primárias de energia, integra a sociedade local e clientela em atividades diárias e distingue-se por uma arquitetura moderna e atemporal", diz Marcus Wild, diretor da Spar European Shopping Centers, proprietária do centro comercial e também responsável por seu desenvolvimento e gerenciamento, bem como de outros 22 shoppings na Áustria, Itália, Eslovênia, Hungria e República Tcheca.
O Brasil não tem um ranking para sustentabilidade de seus 385 centros de compras, mas um dos mais premiados nesse quesito é o Salvador Shopping, na capital baiana. Erguido em 2007, a um custo superior a R$ 350 milhões, o local recebe cerca de 1,3 milhão de pessoas por mês. Da fundação ao revestimento, a obra procurou adotar materiais e medidas sustentáveis, como aproveitar água das chuvas e racionar o uso de energia, utilizar sistema de esgoto à vácuo, não usar madeira durante a construção, reduzir a geração de lixo, instalar lâmpadas que não emitem radiação ultravioleta.
A iluminação natural adentra facilmente a estrutura a partir de um domo com 5,5 mil metros quadrados, onde os vidros importados controlam raios infravermelho e ultravioleta. A redução de custos com iluminação chega a 70% entre dez da manhã e três da tarde. O revestimento externo diminui a transferência de calor para o interior da estrutura.
Um reservatório com 3 milhões de litros de água resfriada durante a madrugada evita a refrigeração convencional nos horários de pico de energia, quando ela fica mais cara. O abastecimento de água vem da empresa pública, de poços artesianos e da chuva. Esta última é usada nos 170 sanitários e na rega de jardins. O sistema de esgoto funciona a vácuo, economizando mais água. Um sistema tradicional consumiria 47 milhões de litros de água por ano. O usado no shopping gasta 2,3 milhões de litros.
O fornecimento de energia foi melhorado com a instalação de uma subestação. Isso dispensou o uso de geradores a gás ou óleo diesel, nocivos ao meio ambiente. O shopping também usa um sistema automatizado que controla o uso de energia, por exemplo ligando e desligando a iluminação convencional dependendo da intensidade de luz natural.
Todo resíduo reciclável gerado no centro comercial chega a uma cooperativa de catadores na comunidade de Pernambués, em área próxima ao empreendimento. Isso reduz o envio de lixo a aterros sanitários, aumenta a reciclagem de materiais e a renda de populações carentes. Na obra, foi utilizado um sistema para vedação que dispensa argamassa para revestimentos. Há uma substancial redução no desperdício de materiais, no peso das estruturas e nos prazos dos serviços.
À frente da construtora Andrade Mendonça, responsável pela obra em Salvador, Antonio Andrade Júnior avalia que o shopping na capital baiana e outras obras do gênero mudaram o modo de se construir centros comerciais no país. "É muito difícil um novo empreendimento não levar em consideração esses quesitos atualmente. Há um novo padrão para a construção de shoppings", afirma.
A empreiteira participou da elaboração do projeto, da compra do terreno e da execução da obra. Por tudo isso, Andrade comenta que foi possível implementar todos os sistemas sustentáveis dentro da estrutura com entendimento do empreendedor e boa aceitação dos lojistas. "Os investimentos iniciais foram um pouco maiores, mas reduziram os custos operacionais dos lojistas", ressalta.
Para Fábio Souza, diretor e idealizador do IDDS (Instituto de Design para Desenvolvimento Sustentável), tornar uma construção realmente sustentável é uma fórmula que depende de ingredientes econômicos, sociais e ambientais, que devem ser pensados desde o nascimento dos projetos. O conceito de design sustentável é relativamente novo, mas prega mudanças nos modelos de desenvolvimento, consumo e produção. "O importante é ter em mente que as soluções vêm em conjunto, mas devem ser adaptadas a cada realidade. E é possível manter e até ampliar margens de lucro com adaptações nos meios de produção e consumo", diz.
Souza diz que muitos prédios anunciados como "verdes" nem sempre merecem essa alcunha. "Muitos materiais usados vêm de fontes não renováveis. Logo, deixam automaticamente de ser sustentáveis." Para o diretor do IDDS, as melhores soluções construtivas são sempre adaptadas ao ambiente. Em regiões mais luminosas do país, como o Centro-Oeste, vale sempre aproveitar a grande oferta de luz natural.
"É preciso divulgação contínua dessas medidas para que ocorra mudança de comportamento social em quem freqüenta esses locais, para que possam entender e passar a agir de forma mais sustentável também. Não basta embutir soluções tecnológicas nos projetos", afirma Souza.
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