O vice-reitor da UFF, Emmanuel Andrade, destacou que a universidade pública opera com a produção de conhecimento e de pessoas qualificadas. A universidade não pode ser desvinculada da sociedade e tem obrigação de usar as melhores práticas de gestão. Para o vice-reitor, o elemento fundamental para a mocracia é a transparência.
O coordenador do Laboratório de Tecnologia, Gestão de Negócios e Meio-ambiente (LATEC) da Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretor-presidente da ABEPRO-Associação Brasileira de Engenharia de Produção, professor Osvaldo Quelhas, apontou que para uma sociedade mais justa, deve-se difundir a transparência em seus diversos níveis e que o esforço para realizar o evento trará consequências significativas para a sociedade.
Quelhas destacou o porquê do conceito de responsabilidade social corporativa estar em voga atualmente. "Cada vez mais critérios de envolvimento saem do campo material e entram na esfera dos valores que acometem a sociedade, que cobra das empresas. O que antes era só questão de qualidade do produto, passou a ser a do ambiente onde esse mesmo item era fabricado. Mas, agora, a qualidade do ambiente gerado pela aplicação do produto, que tem impacto na sociedade, tornou-se mais relevante. ", disse ele.
De acordo com o coordenador do Latec, para que representantes da sociedade civil possam discutir sobre a política de gestão e participar dos processos de decisão dentro de uma empresa, pública ou privada, deveria haver integração entre as partes. Ele afirmou ser necessário institucionalizar o diálogo, transformar as atitudes isoladas dos gestores em algo público. A maioria das pessoas não sabe acerca dos seus direitos e isso acarreta que a organização se eduque de forma a proporcionar a divulgação de um canal direto com a sociedade.
O deputado estadual e presidente da Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio), André Côrrea, discorreu sobre a importância do estado do Rio de Janeiro ser o primeiro no país a usar a emenda constitucional contra o nepotismo. Uma de suas propostas, que está tramitando, é sobre a autorização prévia de todos os agentes públicos (do Judiciário, Legislativo e Executivo), para que sejam declarados seus sigilos fiscal e bancário dos últimos quatro anos antecedentes ao seu empossamento no cargo. E, citando a si próprio como exemplo, disponibilizar na internet todos os seus bens patrimoniais.
Segundo André Côrrea, um outro projeto de lei a ser votado exige a declaração de todos os convênios entre o poder público e o Terceiro Setor em um portal próprio na Web. Isso já acontece oficialmente pela publicação no Diário Oficial, mas não é de uma maneira organizada para que todos tenham acesso.
De acordo com o professor Hermano Cavalcanti, diretor da escola de Engenharia da UFF, o papel da universidade é de ser palco de grandes movimentos transformadores da nação, desenvolvendo pesquisa, extensão e inclusão social. Por meio da escola de Engenharia, o Simpósio vem demonstrar sua posição de vanguarda.
O professor Humberto Machado, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da UFF, evidenciou que o tema não se limita a discutir sobre a transparência somente nos negócios, mas também na vida pública. Principalmente, em um país em que há desigualdade social. Segundo ele, o Ministério Público e a universidade devem contribuir para que haja transparência em todos os segmentos da sociedade.